Por Antonio Ruiz Filho13 de outubro de 2021No próximo dia 25 de novembro, haverá eleições para todos os cargos de direção na OAB de São Paulo. São mais de trezentos e cinquenta mil advogados e advogadas em todo o Estado.Todavia, a maior e mais importante Seccional do país, infelizmente, não tem mobilizado o interesse dos profissionais do Direito, haja vista o enorme volume de abstenções nas eleições passadas. A entidade que sempre atuou na vanguarda da representação dos advogados e da sociedade civil, angariando admiração por influenciar nos destinos da advocacia brasileira e da própria democracia, encontra-se diminuída, apática, permeada por escândalos e enfraquecida pela falta de representatividade de seus dirigentes, que prometeram “coragem e inovação”, mas não entregaram uma nem outra.A nossa OAB submergiu na pandemia, deixando os colegas que necessitavam de amparo à mercê da própria sorte. A direção se vangloriou por ter oferecido o “Benefício Alimentar Temporário”, que de modo algum fez real diferença para quem precisou de auxílio. Ao mesmo tempo, contentou-se com ínfimo percentual de aumento aplicado ao Convênio com a Defensoria Pública, que submete os nossos serviços a honorários aviltantes no Estado mais rico da Federação.Internamente, aprofundou o autoritarismo e malbaratou instâncias decisórias, como o Conselho Seccional, quando a OAB, especialmente em São Paulo, deveria ser modelo de democracia até para se qualificar a exigir conduta democrática para além de seus limites. O grupo que está no comando da OAB-SP foi incapaz de manter suas promessas, como não pretender a reeleição para o cargo de presidente, implementar o voto on-line e difundir diversidade e inclusão de forma transversal. Assim, afastou aqueles que, imbuídos desse ideário, ofereceram seu apoio no último pleito.Essa instabilidade, gerada pelo descumprimento de acordos e pelo desrespeito a pontos programáticos pré-estabelecidos, provocou debandadas públicas na Diretoria, na representação perante o Conselho Federal, no Conselho Seccional e nas Comissões. Vários colegas, sentindo-se traídos em seus ideais, retiraram-se da gestão antes de concluir o mandato, isto servindo de alerta para que a advocacia de São Paulo não permita que esses graves defeitos prevaleçam.De última hora, aqueles que se autointitulam “gestores de ordem” promoveram treze encontros regionais só em agosto e setembro, além de inaugurações pomposas e “amareladas” de obras e reformas. Foram mais de cinquenta no segundo semestre deste ano eleitoral, no pior estilo das desgastadas políticas populistas que visam a estabelecer currais eleitorais e a manutenção do perverso “toma lá, dá cá”, com a intenção escancarada de arrebatar eleitores para seus projetos de poder, em vez de usar nossos recursos para realmente melhorar a vida de advogadas e advogados inscritos na Seccional e que atravessam um momento de especial dificuldade.O que é ainda pior: os atuais dirigentes insuflam um falso e deletério antagonismo entre colegas do interior e da Capital. Tentam produzir uma cisão para atender aos seus propósitos eleitorais, quando a advocacia de São Paulo deveria estar coesa na luta por suas prerrogativas e pelos direitos dos seus constituintes, nas causas que interessam à sociedade e à manutenção do Estado democrático de Direito, como é nosso dever legal. Promovem inconcebível cizânia entre as entidades representativas da advocacia paulista, que sempre andaram juntas em busca das mesmas conquistas, como se o grupo que atualmente comanda a OAB-SP devesse ser hegemônico e impor os seus caprichos e intenções políticas.Fracassaram em todos os planos. E só fizeram enfraquecer a nossa posição institucional e o exercício diário da profissão.É fundamental abraçar a jovem advocacia, atirada ao mercado de trabalho sem condições de alcançar seu espaço. O crescente protagonismo das mulheres na direção da classe é um fato inexorável. A diversidade e a inclusão também são inadiáveis. Cumpre amparar quem precisa de melhores meios para exercer a profissão, principalmente em relação às novas tecnologias.Para que a OAB de São Paulo volte a ter relevância, é imperioso um choque de gestão e modernidade. O mundo mudou, e a maior OAB do país também precisa evoluir, rapidamente, sob pena de se tornar obsoleta, definitivamente. O conformismo deve dar lugar ao exercício do voto para demonstrar que a advocacia de São Paulo merece respeito.
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